Esta é a 5ª. Edição (2019) destas “NOTAS” Este curso, ministrado desde 1999 (até
2010 tinha a sigla HO-713 “Estratégias de Desenvolvimento”), foi concebido como a
“espinha dorsal” do Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Econômico, para
proporcionar maior reflexão interdependente entre os temas centrais envolvidos nesse
Programa: Desenvolvimento, Espaço, História, Meio Ambiente e Trabalho. É bom lembrar
também que a estrutura da disciplina procura manter o espírito crítico que fundou o
Instituto de Economia, desde seus primeiros passos, em 1968, no antigo DEPES.
Concebido no marco teórico histórico-estrutural, o curso tem uma perspectiva
histórica que se inicia na transição ao capitalismo, atingindo sua contemporaneidade. Sua
parte mais atual (itens 8 a 11 do Programa) é constantemente renovada em termos de temas
específicos, países e textos, tendo como objetivo central melhor reflexão e entendimento
do “momento atual” do movimento do capitalismo.
O eixo condutor do curso é o movimento interdependente da economia
internacional, centrado nos principais países desenvolvidos, na América Latina e Brasil, e
no período mais recente, inclui referências e bibliografia sobre China, Índia e Rússia,
tendo em vista as principais transformações por que passaram esses países nas últimas
décadas e o papel de destaque que ganharam no cenário internacional. Esse longo
movimento histórico é visto em linhas mais gerais, aprofundando a análise em seus
principais momentos de ruptura e transformação: transição ao capitalismo; 1ª e 2ª
Revolução Industrial; a geração do subdesenvolvimento; 1ª. Grande guerra e os anos de
1920; “Crise de 1929”; o pós guerra e os Golden Years; o esgotamento desse período;
reestruturação produtiva, neoliberalismo e crise atual, com a exacerbação da
predominância do capital finance, incLui referências e bibliografia sobre isso.
No plano mais concreto, o curso examina as transformações dos principais países
que se desenvolveram, suas estratégias de política econômica e o fundamental papel que
seus Estados Nacionais exerceram. No caso dos países subdesenvolvidos, o curso mostra
suas estruturas no momento de suas formações e os percalços por que passaram e passam,
em suas tentativas de galgar o desenvolvimento.
No plano teórico o item 7 procura apresentar um balanço das principais escolas –
Clássicos, Marx, Neoclássicos, Schumpeter e Keynes, para as reflexões sobre o
desenvolvimento e a antiga escola Cepalina, de Prebisch e Furtado, sobre o
subdesenvolvimento. No item 11, são apresentadas, e criticadas, algumas das “Novas”
Teorias do Desenvolvimento, entre as quais a da “nova” Cepal, a do Neo
Desenvolvimentismo, do Neo Institucionalismo e as Variedades de capitalismo, bem
como são apresentadas reflexões mais atuais de Celso Furtado (entre elas, a das
“Metamorfoses” do capitalismo, e ainda sobre a interdependência entre Desenvolvimento e
Meio Ambiente. Incluo ainda neste item 11, uma crítica aos processos de
Desindustrialização e de Construção e Desconstrução do desenvolvimento Brasileiro, que
trato em dois textos recentes (Cano 2014 e 2017).
Por ser um curso complexo e extenso, envolve bibliografia extensa – em grande
parte de leitura obrigatória - e exige do docente que a leciona, maior experiência e
dedicação no preparo das aulas. Por essa razão, desde 2005 me preocupava com a
proximidade de minha aposentadoria compulsória (12/2007) e o IE tentou contratar
docentes que pudessem assimilar o curso ao longo de alguns anos. Contudo, até o
momento, tenho contado apenas com a colaboração voluntária de alguns colegas do IE,
principalmente na apresentação e discussão de alguns Seminários sobre temas específicos.
Nesse longo período em que tenho ministrado esse curso, além de acumular
importante experiência e conhecimento, vi-me obrigado a produzir – além de alguns textos
meus que o curso utiliza – “Notas de Aula” que constituem um útil instrumento auxiliar
para o preparo de aulas. Fiz uma completa revisão de minhas “notas”, por entender que
elas seriam importantes não só para os novos docentes colaboradores do curso, mas
também para os alunos, facilitando, assim creio, uma transmissão gradual desta docência..
Essas “Notas de Aula” contemplam os 11 temas do curso, e podem constituir uma
espécie de “Roteiro” ou “Guia” para docentes e também para alunos. A empreitada acabou
gerando um longo texto de pouco mais de 100 páginas, que poderá também ser utilizado,
no futuro, como embrião de um livro sobre essa complexa disciplina. Tomara que eu possa
ter a disposição necessária para cumprir (ou ajudar a cumprir) essa importante tarefa.
Wilson Cano, Campinas, julho de 2019.

Criado em 23 de julho de 2019 por Wilson Cano